quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Vida Amorosa de Moll Flanders

Autor: Daniel Deföe

Titulo Original: The Fortunes and Misfortunes of the Famous Moll Flanders

Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues

Páginas: 300

ISBN: 972-747-805-0

Editora: Planeta DeAgostini



Autor

Daniel Deföe nasceu em Londres em 1660. É considerado o fundador do romance inglês, juntamente com Samuel Richardson. Como jornalista político alcançou grande êxito público, ao mesmo tempo que criou poderosos inimigos. Mas é com a publicação de Robison Crusöe, em Abril de 1719, que alcança a imortalidade literária. Aos 62 anos de idade escreve outro grande romance, Moll Flanders, que pode ser considerado o primeiro romance social da literatura inglesa, e que tem como protagonista uma mulher com uma vida venturosa: nos seus verdes anos é prostituta e ladra e acaba como uma mulher de bens. Daniel Deföe faleceu em 26 de Abril de 1731.

Sinopse

A Vida Amorosa de Moll Flanders relata as aventuras e desventuras da famosa Moll Flanders, que nasceu em Newgate e, durante uma vida de sessenta anos, além da infância, foi doze anos cortesã, cinco vezes casada (uma delas com o seu próprio irmão), doze anos ladra, oito anos delinquente deportada na Virgínia e, finalmente, enriqueceu, viveu com honestidade e morreu arrependida.

Opinião

A Vida Amorosa de Moll Flanders é um clássico da literatura, escrito no século XVIII, tem por isso que ser lido e analisado tendo em conta a sociedade e o tempo em que está inserida a narrativa e o autor. Daniel Deföe inicia-se na escrita do romance social, tendo como base as aventuras e desventuras de Moll Flanders, a personagem principal. Esta obra difere de outras da época ou ligeiramente mais recentes, em alguns aspectos que transformam a narrativa muitas das vezes enfadonha e sem interesse. Aspectos como: a falta de nome na maioria das personagens, leva a alguma confusão no leitor; a extensa descrição de episódios da vida da personagem principal, leva a repetições desnecessárias e a um alongar desnecessário da trama. Um clássico que não me entusiasmou muito.

2/5

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sonetos Românticos

Autor: Natália Correia
Páginas: 50
Depósito Legal: 321 327/10
Editora: Publicações Dom Quixote

Autor
Natália Correia nasceu em São Miguel, a 13 de Setembro de 1923, e faleceu em Lisboa, a 16 de Março de 1993. Foi uma intelectual, poetisa e activista social açoriana, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras. Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas.
Sinopse
“Não ofendas a Santa Sabedoria
julgando de ânimo leve o Romantismo.
Humildemente nele escuta as vozes
que te dizem:
O itinerário é interior.
Assim dispõem as Leis do Amor
encontradas no ramo de ouro
da acácia onde pousou a Pomba.”
Opinião
Nesta obra encontram-se compilados sonetos (“Visando a Unidade, o soneto é o ouro da culminação da Obra Poética.”) de cariz romântico, uma das características da autora. Podemos encontrar poemas como: “Rogando à musa que torne claro o coração obscuro”, “Do amor que acorda o espírito que dorme” e “Na câmara de reflexão”. Como já referi neste blog, a poesia não é o estilo literário que mais aprecie, sendo assim não obtive grande proveito na leitura desta obra, mas a mesma insere-se num perspectiva de diversificação de autores, obras e estilos.
2/5

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Os Anões

Autor: Harold Pinter
Titulo Original: The Dwarfs
Tradução: José Lima
Páginas: 254
Depósito Legal: 326734/11
Editora: Publicações Dom Quixote

Autor
Nascido em 1930, Harold Pinter começou por ser actor (com o nome de David Baron) e em 1957 escreveu a sua primeira peça de teatro, The Room. Autor fundamental do teatro contemporâneo, encenou e representou em algumas das suas mais de trinta peças, que foram traduzidas e representadas em todo o mundo. Entre as mais conhecidas, contam-se: Regresso a Casa, O Encarregado, Feliz Aniversário e Terra de Ninguém. Escreveu também argumentos de filmes como O Criado, O Acidente e O Mensageiro, de Joseph Losey, A Amante do Tenente Francês, de Karel Reisz, entre outros, incluindo a adaptação da sua peça Traições. Distinguido com inúmeros prémios internacionais, foi vencedor do Prémio Shakespeare (Hamburgo, 1970); Prémio Europeu de Literatura (Viena, 1973); Prémio Pirandello (Palermo, 1980) e o Prémio Nobel da Literatura em 2005.
Sinopse
Os Anões é o único romance que Harold Pinter escreveu durante a sua longa e notável carreira, coroada em 2005 com atribuição do Prémio Nobel. Originalmente concluído em começos da década de 1950, depois revisto em 1989, o livro descreve as vidas e preocupações de quatro jovens londrinos na Inglaterra do pós-guerra. Através da evolução da sua amizade tumultuosa e destrutiva, Pinter explora o modo com as vidas comuns são moldadas pelas limitações e fronteiras da sexualidade, da intimidade e da moralidade, ao mesmo tempo põe a nu profundas verdades existentes em acontecimentos aparentemente correntes.
Opinião
Não foi certamente esta obra que mais pesou na decisão do júri para a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Harold Pinter em 2005. Os Anões tenta descrever a vida de quatro jovens em Londres após a Segunda Guerra Mundial, explorando a sua amizade e as suas ligações. Harold Pinter procura realizar o seu intento, através de longos diálogos entre as personagens, tornando o livro à primeira vista menos maçudo e de mais fácil leitura. O problema do autor é que os diálogos são extremamente confusos e desconexos, não permitindo que a narrativa seja, por várias vezes perceptível. Uma obra que não apresenta conteúdo palpável, apenas diálogos, na sua maioria, sem sentido e direcção. Leitura que não deixa qualquer saudade.
1/5

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Psicanalista

Autor: John Katzenbach
Titulo Original: The Analyst
Tradução: José Pinto de Sá
Páginas: 488
ISBN: 978-989-626-056-9
Editora: A Esfera dos Livros

Autor
John Katzenbach vive em Massachusetts, Estados Unidos da América. Foi repórter judicial dos jornais The Miami Herald e do Miami News. Antes de publicar O Psicanalista, já tinha editado sete romances, todos eles com enorme sucesso. O seu mais recente livro intitula-se The Madman’s Tale.
Sinopse
“Um 53º aniversário muito feliz, senhor doutor. Seja bem-vindo ao primeiro dia da sua morte.” O psicanalista nova-iorquino Frederick Starks acaba de receber uma misteriosa e ameaçadora carta. Sem perceber como, nem porquê, a sua vida rotineira é lançada ao caos. Encontra-se no centro de um jogo diabólico, concebido por um homem que se intitula Rumplestiltskin. Este jogo tem as suas regras: no prazo de duas semanas Starks tem que descobrir a verdadeira identidade do autor da carta e a razão da sua fúria. Se conseguir, fica livre. Se não, Rumplestiltskin destruirá, um a um, os seus parentes mais queridos, a menos que o psicanalista aceite suicidar-se. “Uma coisa pode ter a certeza. A minha fúria não conhece limites.” Ignorar a ameaça não é uma opção. Starks entra numa autêntica corrida contra o tempo, onde se vê à mercê do perverso jogo de vingança de um psicopata que controla as suas contas bancárias, os seus pacientes, a sua casa e a sua reputação. Nada nem ninguém está a salvo.
Opinião
O Psicanalista foi um daqueles (raros) livros que me entusiasmou pela sua sinopse, a mesma prometia um policial cheio de acção, mistério e emoção. Nem sempre as promessas são cumpridas, e John Katzenbach que tinha uma excelente base para escrever um magnifico thriller, deixou-se levar mais pelo lado existencial da trama, esquecendo o ritmo necessário para cativar o leitor. A procura do doutor Frederick Starks pela identidade da ameaça personificada pelo homem intitulado Rumplestiltskin, é essencialmente uma busca interior, com um ritmo lento e por vezes enfadonho. Uma obra que tinha tudo para ser um excelente policial, transforma-se numa narrativa extensa de registo freudiano, contando-se pelos dedos as passagens de acção. Grande desilusão.
2/5

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Primeiro Aniversário

Um ano depois do inicio desta aventura, este blog tem funcionado essencialmente como arquivo das minhas leituras e aquisições de livros. É evidente que a perspectiva inicial era que o Caderno Preto fosse algo mais, além de mero registo das obras absorvidas, mas nem sempre a sociedade (trabalho e família) nos deixa o tempo necessário para tal. Nestes primeiros 365 dias ficaram algumas (talvez muitas) mensagens por publicar e outros aspectos da literatura por abranger, mas após 106 mensagens publicadas e cerca de 4600 visitas (os comentários é que realmente ficaram aquém do previsto), não posso considerar que as expectativas tenham sido goradas. Espero no próximo ano ter mais disponibilidade para poder continuar a registar as opiniões dos livros que vou lendo, mas também diversificar as matérias publicadas no blog. Boas Leituras!

domingo, 6 de novembro de 2011

A Mancha Humana

Autor: Philip Roth
Titulo Original: The Human Stain
Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues
Páginas: 377

ISBN: 978-972-20-2577-5

Editora: Publicações Dom Quixote

Autor
Philip Roth, nasceu a 19 de Março de 1933, na cidade de Newark, no estado de Nova Jérsia. É um romancista norte-americano de origem judaica, considerado um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX. É conhecido sobretudo pelos romances, embora também tenha escrito contos e ensaios. Entre as suas obras mais conhecidas encontra-se a colecção de contos Goodbye, Columbus (1959), a novela O complexo de Portnoy (1969), e a sua trilogia americana, publicada na década de 1990, composta pelas novelas Pastoral Americana (1997), Casei com um comunista (1998) e A Mancha humana (2000).
Sinopse
Coleman Silk tem um segredo. Mas não se trata do segredo do caso que mantém, aos setenta e um anos, com uma mulher com metade da sua idade e um passado brutalmente devastado. Também não é o segredo do alegado racismo de Coleman, pretexto para a caça às bruxas desencadeada pela universidade e que lhe custou o emprego e, na sua opinião, lhe matou a mulher. O segredo de Coleman foi guardado durante cinquenta anos: oculto da sua mulher, dos seus quatro filhos, dos seus colegas e dos seus amigos, incluindo o escritor Nathan Zuckerman que – após a morte suspeita de Coleman, com a amante, num desastre de automóvel – resolve compreender como é que aquele homem eminente e íntegro, apreciado como educador durante quase toda a sua vida, forjou a sua identidade e como essa vida tão cuidadosamente controlada acabou por ser deslindada.
Opinião
A Mancha Humana é uma das obras-primas da literatura moderna americana e mundial. Uma obra intensa que mexe com os sentidos e sentimentos dos leitores, que retrata de forma magistral a sociedade americana do final do século XX. Philip Roth consegue, através da história da vida de Coleman Silk, focar alguns dos aspectos que marcaram os americanos ao longo de várias épocas, como são: o racismo, os traumas de guerra, a ambição e as relações pessoais. Escrito de uma forma magnífica, este romance é completamente absorvente e avassalador. Um dos melhores livros que li até hoje, altamente recomendado.
5/5

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Eterno Efémero

Autor: Urbano Tavares Rodrigues
Páginas: 150
ISBN: 978-972-20-3043-4
Editora: Publicações Dom Quixote

Autor
Urbano Tavares Rodrigues não é apenas o grande escritor do Alentejo, das suas gentes e das suas paisagens, é também o romancista e contista de Lisboa e de outras atmosferas cosmopolitas que, como jornalista e professor universitário, bem conheceu, viajando por todo o mundo. Catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa, membro da Academia das Ciências (Secção de Letras), tem uma vasta obra literária e ensaística traduzida em inúmeros idiomas. Obteve diversos prémios entre eles, o de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Fernando Namora e o Ricardo Malheiros da Academia de Ciências. Urbano Tavares Rodrigues, que foi afastado do ensino universitário durante a ditadura de Salazar e Caetano, participou activamente na resistência e foi preso e encarcerado várias vezes nos anos 60. O livro de contos A Última Colina é a sua obra mais recente.
Sinopse
Quatro mulheres e dois homens reúnem-se para jogos sexuais até que um deles morre, transformando todos os outros em suspeitos. Neste livro Urbano Tavares Rodrigues descreve, pela trama de um inquérito à volta deste crime, inquietações da vida burguesa de uma cidade que é Lisboa hoje. Diálogos quotidianos, teorias banais, confissões, conflitos de valores, o prazer, a violência e a morte embrulhados num erotismo explícito ou dissimulado, surgem nos interrogatórios do inspector, personagem central de O Eterno Efémero.
Opinião
O Eterno Efémero não tem pretensões a ser um marco da literatura moderna portuguesa, mas apresenta uma narrativa leve, sobre a uma classe social elevada, com todas os seus valores e interesses muito próprios. Tendo como base um inquérito judicial, o autor consegue através da personagem do inspector da judiciária, Moura Prata, transmitir ao leitor a complexidade das relações humanas e das motivações pessoais. Com diálogos triviais, conflitos de valores e a exposição dos meandros de um mundo de prazer e violência, este livro apresenta uma leitura fácil e entretida, mas sem ser nada mais que isso.
2/5